terça-feira, 30 de outubro de 2007

SENTIMENTOS - Luzi Rocha


Sentimentos
(Luzi Rocha)


O que chega em meu coração?
Será amor?
Será paixão?
Será outro sentimento que não esses?

O que sei é que algo machuca
Dói, atordoa-me, confunde-me

Tão longe e tão perto
Paradoxo que preferia a inexistência
Longe, o físico
Perto, o sentimento

Sentimento que me embriaga
Deixa-me triste e contente
Eufórica e calada
Sensível e forte

Sentimento incomum
Sentimento do paradoxo
Sentimento inefável
Sentimento sufocante

A verdade é que não posso e não ~quero fugir
Arriscarei as minhas lágrimas
Meu coração
Minha alma já sofrida

Já faz parte de minha vida
Da minha mente
Das palavras que saem da minha boca
Das lágrimas que saem dos meus olhos

É busca incessante
Busca pelo nada
Busca pelo tudo
Busca pelo que ainda resta

O que sei é que sinto
Sinto germinar
Sinto florescer
Sinto tomar conta de mim

O futuro pode ser incerto
Talvez amargo
Mas, o gosto que sinto nesse instante
Já vale infinitas vidas

Vidas sofridas
Vidas felizes
Vidas sublimes
Vidas amargas

Não posso deixar de senti-lo
Sentimento intenso e confuso
Que machuca e me faz feliz

Estou condenada a sentir-te
E não quero me livrar dessas correntes
Quisera eu poder te tocar
Mas, sentimentos vivem na alma e no coração
E, apesar de tudo, prefiro apenas te sentir
Para jamais ter que te perder...

O AMOR - Nathalia Nasci

O amor não é uma palavra tola
Que se diz sem pensar
São estranhos sentimentos
Que se sente sem falar
O amor as vezes passa
Sem que o possa perceber
O amor é tão sem sentido
Que quem sente
Faz coisas sem querer
O amor não tem hora
Para chegar
As vezes chega tarde
Quando não há mais espaço
Para entrar
O amor não sabe de fronteiras
De estradas ou de lugares
Não mede consequencias
Não tem hora para amar
Perdidos entre as pessoas
Da razão ao sorriso
Ou ao chorar
O amor se esquece de provações
Tudo ele pode perdoar
Permite reconciliações.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

DA MINHA JANELA - Florbela Espanca





Da minha janela

Mar alto! Ondas quebradas e vencidas
Num soluçar aflito e murmurado...
Ovo de gaivotas, leve, imaculado,
Como neves nos píncaros nascidas!


Sol! Ave a tombar, asas já feridas,
Batendo ainda num arfar pausado...
Ó meu doce poente torturado
Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!


Meu verso de Samain cheio de graça,
Inda não és clarão já és luar
Como branco lilás que se desfaça!


Amor! teu coração trago-o no peito...
Pulsa dentro de mim como este mar
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...

(Florbela Espanca)